segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A normalidade da pessoa

Nunca me considerei uma pessoa anormal. Não que eu ache que exista algo do tipo “pessoa normal”, mas eu acredito que exista algum padrão nas anormalidades que justifique o conceito de “normal” pra alguém. Por isso sempre tive alguns grandes preconceitos com qualquer coisa que traga alguma referência à psicologia no nome. Terapia, pra mim, sempre foi violão, cachaça e esse humilde blogzinho aqui. Nos últimos, sei lá, 6, 7 meses, desde que solteirei de vez, terapia foi amigos, cachaça e mulher e digo que funcionou legal, ao menos é o que o hiatus sem atualizações nesse meu espaço eletrônico aqui indica.

Mas as neuras se multiplicam especialmente em um ano como foi 2010 (um ano bem cretino pra mim), fazem com que a gente reveja algumas coisas. Primeiro, tenho me sentido enormemente pobre. Sair em Brasília e começar a reclamar que o assaltante é o dono do bar e não o deputado é um claro sinal disso. Segundo que a boemia é boa, mas atrasa um tanto a vida, o que me deixa até preocupado quando paro pensando se já não é hora de largar a vida bandida e dar uma chance pro romance.

E as coisas vão acumulando, e vão crescendo por dentro até que me pego traçando planos pra 2011 –planos que nunca concretizo-, fazendo uma auto revolução, essas coisas de crise de meia idade (27 anos, meu deus!). E foi numa dessas crises, desabafando os planos e demais babaquices pra um amigo hiperativo, bem como confessando a minha falta de habilidade pra concretizá-los que ele sugere: vai num psiquiatra porque você tem déficit de atenção. E eu paro e penso “porra, déficit de atenção?”. Vai que, né? Fiquei até iludido, como se uma pílula mágica pudesse consertar  toda a minha desorganização, preguiça, impulsividade e falta de caráter. Se não me impedisse de tomar uma cerveja de vez em quando até que seria massa. Mas aparentemente eu não mereço a complacência dos remédios tarja preta. Segundo um psiquiatra que dizem ser fodão eu não, não tou beleza, mas só tenho um remédio: terapia. E é com essa vontade, preconceitos e etc que vou me arriscar no mundo de Freud, Jung e seus seguidores pra ver se consigo colocar a cabeça no lugar e estudar até passar pra Procurador Federal em tempo recorde. E é por isso que tou aqui, agora, escrevendo.

Terapia.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ahhhh Katy Perry...

Só pra constar, se a sexta feira fosse um ser paupável eu tascaria-lhe um beijo na boca em agradecimento, só por existir. E se ela fosse a cara da Katyzinha ali eu ainda dava casa, comida, roupa lavada, carinho, amor, compreensão, creme da Victoria's Secret, bolsa de grife, faria o jantar, levava café na cama, não assistiria mais futebol, nem beberia nos dias de semana, chamaria de 'meu amor'...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Praia

"Look," Françoise whispered, keeping her voice low so Étienne wouldn't wake. "Do you see?"
I followed the path of her arm, past the delicate wrist and unexplained tattoo, up her finger to the million flecks of light. "I don't," I whispered back.
"Where?"
"There… Moving. You can see the bright one?"
"Uh-huh."
"Now look down, then left, and…"
"Got it. Amazing…"
A satellite, reflecting what — the moon or Earth? Sliding quickly and smoothly through the stars, tonight its orbit passing the Gulf of Thailand, and maybe later the skies of Dakar or Oxford.
Étienne stirred, and turned in his sleep, rustling the bin-liner he'd stretched out beneath him on the sand. In the forest behind us some hidden night bird chattered briefly.
"Hey," I whispered, propping myself up on my elbows. "Do you want me to tell you something funny?"
"What about?"
"Infinity. But it isn't that complicated. I mean, you don't need a degree in—"
Françoise waved a hand in the air, tracing a red pattern with the tip of her cigarette.
"Is that a yes?" I whispered.
"Yes."
"OK." I coughed quietly. "If you accept that the universe is infinite, then that means there's an infinite amount of chances for things to happen, right?"
She nodded, and sucked on the red coal floating by her fingertips.
"Well, if there's an in"nite amount of chances for something to happen, then eventually it will happen — no matter how small the likelihood."
"Ah."
"That means, somewhere in space there's another planet that, by an incredible series of coincidences, developed exactly the same way as ours. Right down to the smallest detail."
"Is there?"
"De"nitely. And there's another which is exactly the same, except that palm tree over there is two feet to the right. And there's another where the tree is two feet to the left. In fact, there's planets with infinite amounts of variations on that tree alone, an infinite amount of times…"
Silence. I wondered if she was asleep.
"So how about that?" I prompted.
"Interesting," she whispered. "In these planets, everything that can happen will happen."
"Exactly."
"Then in one planet, maybe I am a movie star."
"There's no maybe about it. You live in Beverly Hills and swept last year's Oscars."
"That's good."
"Yeah, but don't forget, somewhere else your "lm was a flop."
"Oh?"
"It bombed. The critics turned on you, the studio lost a fortune, and you got into booze and Valium. It was pretty ugly."
Françoise rolled on to her side and looked at me. "Tell me about some other worlds," she whispered. In the moonlight her teeth flashed silver as she smiled.
"Well," I replied. "That's a lot to tell." Étienne stirred and turned over again.
I leant over and kissed Françoise. She pulled away, or laughed, or shook her head, or closed her eyes and kissed me back. Étienne woke, clasping his mouth in disbelief. Étienne slept. I slept while Françoise kissed Étienne.
Light-years above our bin-liner beds and the steady rush of the surf, all these things happened.
After Françoise had shut her eyes and her breathing had eased into a sleeping rhythm, I crept off my plastic sheet and walked down to the sea. I stood in the shallows, slowly sinking as the tide pulled away the sand around my feet. The lights of Ko Samui glowed on the horizon like a trace of sunset. The spread of stars stretched as far as my ceiling back home.


(The beach, Alex Garland)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

UM ADENDO

Pessoas bonitas e de bom gosto que visitam esse blog. Em razão de reclamações e principalmente porque o sistema de comentários anterior não gravava automaticamente os links de quem passou por aqui, eu voltei-ô-ô para o sistema antigo, do blogspot mesmo, e, em consequência, perdi TODOS os comentários da era Haloscan/Echo por aqui (só alguns anos de postagem). E como eu acompanhava a galera (geralmente) pelos links deixados nos comentários, perdi o endereço de todo mundo. Por isso, no entanto, todavia, favor deixar links, ok?

Agora divirtam-se com meus infortúnios declarados em postagens anteriores, onde o "novo" sistema de comentários funciona.

Thanks. 

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vou me afundar na lingerie


Tenho passado meus dias entre o torpor do trabalho e a ânsia pelo final de semana. Talvez eu tenha assistido Clube da Luta vezes demais, mas ao invés de descer a porrada em homens suados e sem camisa em um porão abafado, minha válvula de escape tem sido outra: birita, música e mulherada. Minha rotina voltou a ser aquela que separa os homens dos meninos, a prática (ou seria uma filosofia de vida?) do carpe diem agressivo.

Conheci tal prática filosófica por acaso, meio da faculdade, entre a dúvida de comprar mais uma vodka ou não, um amigo solucionou a questão com uma afirmação

_Bom, o Keith Richards ta vivo até hoje!

Naquele dia eu acordei do lado de uma loirinha sensacional. Um pra mim, zero pra baixaria. Claro que o caminho é tortuoso, existem altos e baixos e nesses tantos anos que vieram depois do dia em que eu encontrei a luz (a gente saca que ta velho quando o Macaulin Culkin faz trinta anos e você assistiu “esqueceram de mim” no supercine de natal) a baixaria ta me dando uma goleada. Mas quem aqui se importa com o placar?

Pra ser sincero, ultimamente, ando botando muita fé nesses ideários orientais de harmonia, ying, yang e etc, naquelas de que se eu peguei uma feiosinha hoje é porque uma gatíssima me espera amanhã. Há umas semanas eu andava mal, cabisbaixo, me sentindo o pior dos homens (aquele estado emocional conhecido por todos nós após um belo chute na bunda) quando algumas cachaças depois eu fiz a felicidade daquela que me marcou por ser a mulher mais trash da minha vida –piano tenso ao fundo faz “TAM TAAMMM”. Um amigo ainda gritou “é uma cilada Bino!”, mas todo bêbado é surdo, fazer o quê? Dia seguinte, todo mundo rindo, mas eu estava tranqüilo. Se a ressaca não fosse tanta eu até ia vibrar porque sabia que o ying iria compensar a yangada que eu dei. Essas boas ações resultam em karma da melhor qualidade, não tem erro. Previ o futuro com tanto acerto e as energias cósmicas que fazem o universo girar se redimiram e foram tão gentis comigo, que alguns dias pra trás driblei três e marquei um gol de trivela no ângulo, sem chance para o goleiro. Gol de placa.

Os Hare Krishnas nunca me deixam na mão.

Aliás, pensando bem, a melhor coisa que fiz foi ter dado os pegas na feiosa. Primeiro porque no dia seguinte o mecânico fez uns ajustes no meu carro de graça, segundo porque rolou o episódio C.

C. é uma amiga de não tanto tempo assim. Amiga de amigas da namorada, gatíssima e proibidíssima, aquela velha história. Sempre foi defensora voraz da minha ex, tanto que eu sinceramente achava que ela, assim como eu, tinha uma forte queda por meninas branquinhas, bonitinhas, magras e peitudas. Inclusive já levei uns tapas por sugerir um ménage com C. nos tempos do namoro (eu vivia levando uns tapas por sugerir ménages com mulheres diversas, mas vocês sabem como é, quem não arrisca não petisca –e não, curiosos, mesmo arriscando constantemente não petisquei). Enfim, C.. Estava eu, já solteiro, no pós feiosa, sentado em um boteco com um primo meu quando chega C., que coincidentemente passava por ali de carro, indo pra não sei onde encontrar com não sei quem. Vi passando, acenei, ela estacionou, veio falar oi. Sentou, pedi mais um copo. Conversa vai, conversa vem, falei da vida de solteiro que andava engraçada, ela riu, me olhou de um jeito esquisito e tirou meus óculos.

_Nunca te vi sem óculos.
_Ah! Então só conhece minha versão Clark Kent.
_*ela ri* É. Acho que é. Como é a versão super-homem?
_Versão super-homem sou eu sem óculos, depois da quarta vodka. Meteoro da paixão!
*ela ri litros*
_Até que você não fica mal sem óculos não, viu?
_Não fico mal, é? Minha versão super-homem é a.... *ela me beija*

Amigas de namoradas já são um perigo, amiga da amiga da namorada é a perdição, mas eu não vejo impedimentos morais depois que o relacionamento acaba. E eu recomendo.

O caso da C. foi só para me lembrar que desde a feiosa trash não passei nenhum fim de semana sozinho. E o que é melhor, passei todos os fins de semana BEM acompanhado. Talvez alguém argumente que é a profusão de festas, há quem diga que é resultado desse meu retorno à puberdade, mas não queridos leitores. É karma. É a caridade recompensada.

Claro que não se pode dar mole. Depois da feiosa eu ando consciente do naipe das mulheres com quem estou conversando não importa o meu grau de embriaguez. É uma habilidade dificílima e que só um trauma (ou, sei lá, exposição à radiação, picada de aranha radiativa, contato com E.T.s) pode desenvolver.

Tem sido tudo muito engraçado, muito divertido. Em outra mão já ando meio que pensando em dar uma freiada na canalhice, canalhice demais cansa. Sem contar que a própria mulherada já anda com saco cheio de mim. A última que eu ouvi foi

_Ah, você? Pra cima de mim?

E, é claro, preciso mudar de assunto. Daqui a pouco vocês já não vão agüentar mais passar por esse blog e me pegar falando de mulher, calcinha e da ex (ai, o amor). Então talvez já seja hora de dar um passo a frente, em nova direção. Talvez um gol de placa mereça replay, por que não?

Com uma ou com todas o importante (e a única certeza) é que...

Vou me afundar na lingerie, baby
Me perder na relatividade das pequenas
Eu já nem sei seu telefone, baby

Não vou mais ter remédio para dor de cabeça, meu bem

Ainda bem que agora eu não tenho cabeça

Ame-me ou deixe-me em paz

Imagine só

Xuxu beleza

Tomate maravilha

É a última moda

...

Quem já dançou sempre tem medo dos homens, baby

Eu vou mais é me afundar na lingerie

(Na maior, na maior)

Ainda bem que eu não tenho cabeça

Ame-me ou deixe-me em paz

Imagine só

Xuxu beleza

Tomate maravilha

(Arnaldo Baptista. Vou me afundar na lingerie. Lóki, 1974)

Um p.s. aos marmanjos e às meninas de bom gosto: de nada pela imagem que ilustra esse post.

domingo, 15 de agosto de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

500 days of Breeze

(two girls, beautifully deadly.

That's my movie's motto)

Eu não gosto de escrever coisas pessoais para o blog. Principalmente porque eu não gosto de falar de coisas pessoais para ninguém, embora eu atormente uma ou outra pessoa a respeito dos meus intermináveis dilemas com uma certa freqüência. Mas, como não tenho conseguido escrever sobre outra coisa e não escrever me soa desrespeitoso a quem me lê, vamos às


MULHERES QUE DEVASTARAM MINHA VIDA *tambores rufam, soam os metais*


Namorei a Rafa por quinze dias. Não, a Rafa inserir foto aqui não foi uma das mulheres que devastou a minha vida. Conheci Rafaela no bloco, festa grande, ela, linda, se destacava (e muito) na multidão. A cerveja me deu coragem, me aproximei, ela sorriu e... Créu. Mutcho loco, acordei namorando. Nosso relacionamento durou exatamente duas semanas e um dia. Sempre que eu encontrava a Rafa eu estava bêbado ou, pelo menos, levemente embriagado. Na primeira vez que saímos e eu estava são eu entendi que nem só de olhos, bocas e decotes vive um homem: a menina era uma porta. Ok, falava francês no meu ouvido, mas era uma porta. Terminei.

Rafaela era o exemplo concreto de que pessoas muito bonitas conseguem as coisas fácil demais, exatamente por serem bonitas em excesso. Parece que isso desestimula a pessoa a ler um livro, assistir um bom filme, ou (oh!) entender piadas.

Depois de um relacionamento semi-desnecessário (eu me diverti, vai!) de 15 dias fiquei relembrando todos aqueles bons momentos com a ex (impressionante a minha capacidade de relembrar somente os bons momentos) e, que se foda, liguei. Atendeu, uma simpatia. Éramos amigos, afinal. Marcamos um chope e terminamos, óbvio, no motel.

Quando você encontra ex pessoas da sua vida elas tem 86% chance de estarem mais bonitas do que você se lembra e, nesse caso, ela não fugiu à regra. Porra, ela tava linda! E lia livros, e bebia comigo, não tinha frescuras, chamava minha avó de “vó”, minha mãe de “tia” e, caralho, eu continuava apaixonado!

Mas, bem, ela não.

Arrastamos esse pseudo-relacionamento por alguns meses. Nesse meio tempo apareceu M. uma graça e tão diferente! Uma é tipicamente ariana, a outra tímida, na dela, uma um furacão, a outra descomplicada (mulher descomplicada, pfff).

Eu, genialmente, escolhi o furacão.

Semanas depois o furacão tornou-se um tornado, um tsunami asiático, e invadiu minha praia, derrubou meus casebres, inundou meus arranha-céus e me fez lembrar de uma certa baiana que anos atrás chutou meu saco tão forte que eu fiquei uns bons meses correndo atrás da dita cuja, sem a menor noção do que era ser homem.

Ao menos aprendi a lição: nunca mais corro atrás de mulher. E não, não corri, nem vou correr. Ando tranqüilo. Tudo bem, passei meus dias em Ouro Preto flutuando em cachaça e por aqui abrindo meus pobres processinhos sem conseguir trabalhar. Mas passou, passou, ta passando...

O triste é pegar o celular e tentar ligar para M. e M. não atender.

Carma, carma, bad, bad, carma.


P.s.: volto à programação normal no próximo post ou após uma garrafa de whisky.

P.p.s.: aceito doações de garrafas de Jack Daniels.

P.p.p.s.: caso alguém comente, favor deixar links, ok? Eu também sou uma porta.

P.p.p.p.s.: tou solteiro, galera! Ah, meninas, meu telefone é...